A moça triste
MaristelD.
Caminha pela rua nua a moça triste
Caminha a moça pela triste rua,
Caminha a moça, nem tu mesmo a vistes!
Pela rua caminha a moça nua.
Vai nua de sonhos, de esperanças,
Nos andrajos rotos, vejo a alma crua,
Alma nua de sonhos, nua de lembranças
Caminha a moça nua pela nua rua
E tu não vistes o semblante tristonho
Ou a dor gritante nesta rua nua
Se gente houvesse ia julgar bisonho
O seio túrgido que rasga a roupa sua
Rompe tecido, botões, escorre pela rua.
Só quer encontrar a pequenina boca
Pálida, inerte, aberta... Boca nua
E pela rua triste caminha a moça louca
Caminha a moça triste em passo torto
Leva nos braços, do seu ventre, o fruto.
Carrega, a moça triste, o filho morto.
Carrega a morte, a dor, carrega o luto.
Caminha pela rua nua a moça triste,
Caminha a moça pela triste rua.
Caminha a moça e nem mesmo a vistes...
Pela rua triste caminha a moça nua.
No céu, negras, as nuvens se agitam.
Querem chorar a dor da nua rua.
Cai em silêncio... Lágrimas não gritam,
Apenas ocultam a minguante lua...
Caminha sem cortejo, sem choros ou vela.
Banhada pelo pranto dessa chuva fria,
São lágrimas do céu que tanta dor revela,
Mas na rua nua amanhã é um novo dia.