A morte

 

                                                                       Maristel Dias

Jamais declararei guerra à morte,

Pois se ela vem, é em predestinada hora

 Hora bendita e exata que determina a sorte

E conduz a chegada da bela senhora.

 

Não a vejo, como tantos, foice em punho

Ceifando vidas sem dó, aleatoriamente.

Face cadavérica em capuz negro, rascunho

De algum desdenhador tolo, demente.

 

Essa figura presente em guerras humanas

Não é a boa morte, é aquele anjo mau,

Gerados que foram por mentes desumanas

Escravas da ambição... Crias do mal.

 

A morte que eu conheço é nossa amiga.

Vem piedosa, leva do ser merecedor,

A carga indecorosa, a carne podre e antiga,

O peso de uma cruz, peso do desamor.

 

É compassiva, bela, quando a mão estende

E recebe a outra mão triste e ansiosa,

Que deixa em terra a dor e compreende

A paz de sua face sorridente e airosa.

 

Não temas essa morte abençoada,

Libertadora da rude e impiedosa lida,

Ela é troféu de uma existência  honrada,

De uma vida amorosa e bem vivida.