A última lágrima

Se não tens apropriado recipiente

Um cadinho ou um lenço, talvez...

A própria mão há de ser suficiente

Para colher a apoteose, a última vez.

 

É extinção... Tens um cofre, acaso,

E podes preservar a derradeira e rara

Como o Santo Graal ou o último ocaso

Da história humana desta alma clara?

 

Desce a guilhotina, os olhos se fecham...

O sangue jorra do corpo sem cabeça

E os finais fatais enfim se encerram,

 

Mas se tens a mão, se tens o diafragma:

Estende-a por dó...  Aspira a rude ofensa

E guarda em tua pele minha última lágrima

 


jan/2005