Amores

Maristel
Dias dos Santos
Amores
terminam... amores começam
Existem
amores que nascem na infância
Amores
calados, sentimentos confusos
Por
um vizinho velho, de vinte ou de trinta
Porém,
que paixão! Não! Que idolatria!
É
amor que passa, como passa o sarampo
O
resfriado, a gripe, a dor de barriga.
Amores
terminam... amores começam...
Amores
feitos na ilusão da adolescência,
Amores
amargos, amores insanos,
Que
trazem tragédias e marcas profundas
São
monstros devoradores da inocência
Chegam
como os vendavais, em escarcéus,
Quando
quem menos manda é a prudência.
Amores
terminam... amores começam...
E
há os que chegam na idade do siso
São
amores sinceros, eloqüentes, fortes,
Que
chegam armados e para vencer !
São
amores conscientes, conseqüentes,
Sabem
domar a fera, conseguem o que querem.
São
do tempo do juízo, dos dezenove ou dos vinte.
Amores
terminam... amores começam...
E
dos que chegam aos quarenta ou cinqüenta
É
preciso ter cuidado... esses amores matam
São
amores destruidores, arrebatadores.
Chegam
na idade do lobo e endoidecem a mente
Pensam
que estão no fim, que são derradeiros
Terminam
por serem tolos e dementes realmente.
Amores
terminam... amores começam...
E
se algum chega aos sessenta ou setenta
Vem
confuso, brusco, sincero e puro
Como
o primeiro cuja idolatria ostenta.
É
igual ao da infância e o ciclo se fecha
Amores
ocultos, como os das crianças
São,
porém muito gordos de lembranças.
Amores
terminam... amores começam...
E
até nos oitenta vão reflorescer
Amores
suaves, não apanham nem batem
Mas
sabem ainda sofrer e arder
Contentam
com a ternura de um olhar
É
aquele amor tranqüilo, por isso mais forte.
Tão
fortes que não se acabam na morte.
Amores
terminam... amores começam...
Quem
manda é o destino,
E
quem destina é a sorte.