Maristel Dias
Se
quem me vê sorrindo, airosa,
Bela,
elegante, desembaraçada,
Distribuindo,
sempre graciosa,
Ternura,
simpatia, amor...
Se
quem me vê, pudesse
Desnudar-me a alma,
Tirar-me a máscara,
Que
o dever impõe
Por
certo espantaria e fugiria
Horrorizado
ante as ruínas
Da
alma milenar, encarquilhada,
Que
tem a cor da morte, da saudade
E o odor do mofo e da podridão
Porque de tanto, tanto te esperar
A alma estragou-se... envelheceu
E agora me verias ao chegar
Bela
e radiante... toda esplendor
Então,
quiçá tu me possuirias
Sem
perceber que dentro deste corpo
A alma morreu... porque faltaste, amor!