Brisas
Maristel
Vem ver o vento que passa em minha casa
Apenas passa, canta e quer me acariciar.
Depois outra rajada vai voar sem asas,
Bailando apressado, sutil, voar e revoar.
Chega cantante e sonoro na janela aberta
E faz gemer de gozo, beleza e prazer
Cortinas de voal inquietas, indiscretas
Em delirante e espantoso estremecer
Vem ouvir o vento aqui no meu jardim,
Brincando de esconder pela varanda,
Esbarrando em paredes, redes e umbrais,
Acordando sons dos enfeites orientais.
Vem ouvir o vento aqui na minha casa.
Faz música nos sinos, desperta o carrilhão.
Ouça o vento que à flor empresta asas
E rola infantil sobre o gramado chão.
É o mesmo que chega a sacudir roseiras,
Despetalando a rosa em pétalas de olvido.
Mutante vento vem em brisas fagueiras,
Vento exibido, pois além de vê-lo, irás ouvi-lo...