Carta de amor
Maristel D.
Após falar com você ao telefone, após descobrir que sofria tanto quanto eu, decidi mudar o conteúdo e outra decisão, dura como um diamante, tomou conta de mim. Esta eu posso e devo lhe contar. Nada de juramentos nem promessas. Apenas uma constatação definitiva: você é meu último e maior amor.
Sei que já ouviu essas palavras mil vezes de minha boca, das teclas do meu
computador, das pontas do meu lápis e de minha caneta, entretanto nem eu mesma
sabia e descobri após aquele telefonema.
Eu me estendi de costas na cama, puxei o edredom cor-de-rosa sob o meu
queixo e olhei demoradamente o teto. Foi aí, então, que me senti purificada,
intocada e intocável como uma virgem, como uma santa que se guarda, cristalina,
para o seu Senhor.
Há exatos cinco meses suas mãos tocaram meu corpo, sua pele colou-se em minha pele e como se tivesse acontecido uma gestação de tempo, ela nasceu. Nasceu perfeita, com cinco dedinhos em cada mão e cinco dedinhos em cada pé e linda, molhada de lágrimas que serviram para lavar todas as impurezas do parto.
Nasceu a Certeza que agora posso
colocar em suas mãos, em seus braços, recostá-la em seu peito: “Olha,
papai, que linda! Seu nome é Certeza". Certeza que as marcas
que você deixou em mim, nunca serão apagadas por outras mãos. Aperte contra o
seu corpo a Certeza, que ela é toda sua e não haverá teste de
paternidade que negará esta realidade. Ela crescerá entre nós dois e nos fará
felizes.
Não permitirei que ninguém macule a beleza da Certeza de que
nunca amei e nunca amarei ninguém, neste ou em outro mundo, como amei você.
Perdoe todo o mal que meu ciúme, minha possessividade lhe fez.
Em troca eu
perdôo todas as dúvidas e as palavras injustas e más que você tenha dito ou
pensado.
beijo
Jezabel
09/11/2004