CIRCO

 Maristel

Por mais esta vez deixa-me chorar,

(e que esta seja a última vez)

Quero chorar por mim, por ti,

Quero chorar por eles...

Pobres palhaços, no imenso picadeiro,

Que riem... E riem... Sem parar...

Guardando na alma a dor

E a face da dor sob a máscara                                      

Da alegria falsa e mentirosa

Da felicidade... Deixa-me chorar...

Deixa-me chorar agora,

Que a cortina baixou e a noite chegou.

Que seja esta a última noite

Que eu tire a máscara...

Volto ao circo amanhã,

Onde lonas enormes e antigas,

Olhadas por quantos querem vê-las

São cheias de buracos... E através deles

Passa a luz que há em cima.

Buracos que chamamos  de estrelas,

E desejamos, com ou sem em juízo,

Chegar um dia a essa luz tão linda...

E deixar a escuridão desta ribalta

De luzes tão falsas quanto o nosso riso.