(Clonar)

E
aí o homem tornará eterno o seu invólucro carnal.
A
ciência vencerá a morte tirando da célula a falibilidade.
Acabará
a dor/sofrimento, mazelas do corpo material.
Fará
do homem um ser perfeito em felicidade.
A
fonte da juventude conservará adonisado o Adônis
E
a Terra será uma reunião de seres belos e felizes.
Exército
de Stallones e seus respectivos clones
Nos
bancos de reserva, sem o menor deslize,
Para
salvar-se de eventuais e naturais ciclones.
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Quando
as crianças nascerem programadas,
Ninguém
mais será feio, torto, nem inválido.
Talvez
ninguém mais seja, sequer, mulher.
Teremos
um mundo perfeito e esquálido.
Porque
o ideal de beleza é restrito e banal.
Nem
poetas, nem religiosos, nem fábrica de óculos!
Nem
pernas mecânicas, muletas ou próteses...
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Ninguém
mais precisará de Deus,
Pois
todos serão deuses... E, inevitavelmente,
Chegará
o dia marcado, em que:
Num
transporte de desespero, desesperadamente,
O
homem reinventará a morte.
Leme, março de
1997.