(Clonar)

  Maristel Dias dos Santos

 

E aí o homem tornará eterno o seu invólucro carnal.

A ciência vencerá a morte tirando da célula a falibilidade.

Acabará a dor/sofrimento, mazelas do corpo material.

Fará do homem um ser perfeito em felicidade.

A fonte da juventude conservará adonisado o Adônis

E a Terra será uma reunião de seres belos e felizes.

Exército de Stallones e seus respectivos clones

Nos bancos de reserva, sem o menor deslize,

Para salvar-se de eventuais e naturais ciclones.

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Quando as crianças nascerem programadas,

Ninguém mais será feio, torto, nem inválido.

Talvez ninguém mais  seja, sequer, mulher.

Teremos um mundo perfeito e esquálido.

Porque o ideal de beleza é restrito e banal.

Nem poetas, nem religiosos, nem fábrica de óculos!

Nem pernas  mecânicas, muletas ou próteses...

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Ninguém mais precisará de Deus,

Pois todos serão deuses... E, inevitavelmente,

Chegará o dia marcado, em que:

Num transporte de desespero, desesperadamente,

O homem reinventará a morte.

 Leme, março de 1997.