Consolo de poeta
Que fazer da ansiosa carícia em nossa mão,
Não houvesse um gatinho para afagar?
Onde buscar o afeto ao amoroso coração,
Não fosse, do cãozinho, o agradecido olhar?
Secava a voz que já não canta e morre na garganta,
Não clamasse perdão, na dor pela barata morta?
Para onde caminhar não precisasse achar a manta
E aquecer pobre animal que chora em nossa porta?
Como esquecer um coração cheio de afeto,
Se não esparramar o amor, pelo olhar,
Aos meninos da rua, de futuro incerto?
Quando gastar a ternura da alma inquieta,
Que precisa se dar, que tem de se entregar,
Não fossemos nós, do mundo, um poeta?...