Consolo de poeta

                                                                 Maristel Dias

Que fazer da ansiosa carícia em nossa mão,

Não houvesse um gatinho para afagar?

Onde buscar o afeto ao amoroso coração,

Não fosse, do cãozinho, o agradecido olhar?

 

Secava a voz que já não canta e morre na garganta,

Não clamasse perdão, na dor pela barata morta?

Para onde caminhar não precisasse achar a manta

E aquecer pobre animal que chora em nossa porta?

 

Como esquecer um coração cheio de afeto,

Se não esparramar o amor, pelo olhar,

Aos meninos da rua, de futuro incerto?

 

Quando gastar a ternura da alma inquieta,

Que precisa se dar, que tem de se entregar,

Não fossemos nós, do mundo, um poeta?...