Maristel Dias dos Santos
Canto meus cantos que teus cantos são
A mim não me pertencem, pois pertenço a ti.
Sonho meus sonhos que meus sonhos são
Nos desvarios de uma alucinação
Mas tua é a luz que me vem penetrar
Os recônditos do ser para iluminar
E lembrar que já fui dor
E hoje sou amor
Cada vez mais por um sublime impor
Amo o amor pelo seu esplendor
Que extasia o ser no íntimo da mágoa
No íntimo mais íntimo do ser e do não ser
O amor começo a amar
E a plenitude que desconhecia
Percorre minhas veias e deságua
Na profundeza do azul do mar
Mas sem apegos porque eu bem sei
Que tudo de melhor está a me aguardar
No alto da montanha e para lá chegar
É só caso de tempo e de desvelo
Que só explica o eternamente amar
E desperta o frêmito ao querê-lo
Pois não domino e nem desejo ousar
Deves saber que afinal sou nada
Nada que possas querer ou resguardar
E a magia que queres é ilusionada
Meus dons são apenas palavras
E é esse o meu estigma
Fazer da vida a perfeita rima
Falar, cantar, sofrer, morrer de amor
Que esta é a minha eterna maldição
Eu não sou eu e a ninguém pertenço
Nos desertos da minha existência
Só a beleza me traz pela mão.