Conversa ao pé do fogão

                                                                                                Maristel Dias 

Sabe, aquela calçada, que segue a linha do trem,

Naquela rua asfaltada, pros lados da Loja Cem?

Ia um moço enfatiotado pra casa da namorada

Todo chique e perfumado e nos pés novos sapatos!

Muito lindo e elegante parecendo mesmo um gato.

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Lá pros lados da Estação foi que perdeu o calçado

E o culpado foi um cão que por ele foi chutado

Saiu voando o sapato, indo parar, veja bem,

Lá sobre os trilhos do trem e o moço, pé de meia,

Teve de abrir a porteira e procurar, um tempão,

Sapato na escuridão, inda por mal dos pecados,

Tão preto como o pecado, preto como carvão.

Tudo por causa de um cão foi que chegou atrasado

Na casa da namorada para explicar todo o fato

E ter seu pedido aceito, seu pedido de perdão.

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A moça, zangada estava, falou assim: está bem...

Você está perdoado. O atraso eu aceito,

Mas por ter chutado o cão, tenho que dizer: bem feito!

E por isso mando e enjeito: volta pra linha do trem

E só retorna depois de pedir perdão ao cão!

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