Conversa
ao pé do fogão
Maristel Dias
Sabe,
aquela calçada, que segue a linha do trem,
Naquela
rua asfaltada, pros lados da Loja Cem?
Ia
um moço enfatiotado pra casa da namorada
Todo
chique e perfumado e nos pés novos sapatos!
Muito
lindo e elegante parecendo mesmo um gato.
...............................................................................
Lá
pros lados da Estação foi que perdeu o calçado
E
o culpado foi um cão que por ele foi chutado
Saiu
voando o sapato, indo parar, veja bem,
Lá
sobre os trilhos do trem e o moço, pé de meia,
Teve
de abrir a porteira e procurar, um tempão,
Sapato
na escuridão, inda por mal dos pecados,
Tão
preto como o pecado, preto como carvão.
Tudo
por causa de um cão foi que chegou atrasado
Na
casa da namorada para explicar todo o fato
E
ter seu pedido aceito, seu pedido de perdão.
....................................................................................
A
moça, zangada estava, falou assim: está bem...
Você
está perdoado. O atraso eu aceito,
Mas
por ter chutado o cão, tenho que dizer: bem feito!
E
por isso mando e enjeito: volta pra linha do trem
E
só retorna depois de pedir perdão ao cão!