Dia dos Pais
Maristel
Dias dos Santos
“Pai
Nosso
que estais no Céu”,
que criastes e ordenastes fosse habitado o planeta Terra, tende piedade de nós.
Nós, que para cá fomos desterrados. Nós, os degredados do lugar de belezas e
bondade. É certo que motivos justos havíeis de ter tido. Eis aí o Dia dos
Pais criado pelos homens. Hora de comercializar, de vender, de comprar e também
de produzir culpas em filhos que não podem cuidar de um pai e criar tristezas
em pais que nem uma visita recebem de um filho. Dia de almoços festivos em
casas ricas, dia de fome nos despojados casebres.
“Pai
Nosso olhai por nós” que
vivemos neste vale de lágrimas. Abri os corações empedernidos e lhes mostrai
que amor, paz e felicidade são mercadorias inegociáveis. Sabe, “Pai do Céu”,
chego a pensar que vos esquecestes de nós, ou que desanimado, desististes e
entregastes os rumos deste planeta ao seu eterno opositor, o anjo mau, também
por vós criado e igualmente amado, mas que se voltou contra Vós
por ambição, numa competição divina, por querer ser maior que Vós
sois.
Então, para acabar a contenda, destes a ele o poder sobre este infeliz planeta.
Entregastes a Terra. Porém Vós
sois o Criador de todo o Universo.
Não nos abandone, vos imploramos, nas mãos daquele que não soube entender os
vossos desígnios. Continuai a lutar contra o mal em favor dos filhos que aqui
resgatam dívidas e imploram misericórdia. Tende piedade de nós. Se muitos
foram contaminados pelo mal, muitos outros são admiravelmente bons filhos. E não
são poucos, acreditai. Podem ser feios, pobres, doentes, carentes de toda coisa
material, mas clamam por justiça.
Aproveito a data para vos pedir, olhai pelo meu pai terreno que há
tempos por Vós
foi
resgatado deste lugar inominável. Se puderdes, diga a ele que neste seu dia,
como em todos os outros, eu lhe envio um grande beijo e um forte abraço.