Dietas e regimes

 

        

                                                                                                                                    Maristel Dias 

             Querem nos enlouquecer! Mais do que já andamos por motivos mil: sociais, políticos, financeiros, existenciais, familiares, etc, etc, etc. Vivemos com problemas de entendimento neste mundo moderno de tão fartas fontes de comunicação.Paradoxalmente, a palavra que, entre os humanos, devia ser motivo de compreensão parece ter-se tornado instrumento de desentendimentos porque, temos de admitir, o ser humano mente. Corriqueiramente, a toa-a toa, ele mente. E daí? Acreditar em quem ou em quê? A informação devia ser consistente e qualificada, porém precisamos filtrá-la algumas vezes para torná-la útil à formação de algum conceito.

         Quando se chega àquela idade do colesterol, das triglicérides, das gordurinhas mal distribuídas, a necessidade de se fazer uma dieta alimentar torna-se premente e é aí que a porca torce o rabo! Até outro dia as dietas rezavam: nada de carnes vermelhas, gordas então, nem pensar! Ovos, de jeito nenhum! Gordura animal entope as veias e provoca enfartes ou coisas ainda piores. Pare de fumar e nada de álcool. E aí? Comer o quê? Bem, legumes, frutas, leite desnatado, carboidratos para produzir energia suficiente para andar... Andar... Caminhar... Caminhar... E você está a salvo. Nunca mais vai morrer! E a essa altura dos acontecimentos, chega às suas mãos a revista Veja de 19 de abril de 2000 e um tal de Dr. Atkins diz tudo ao contrário! Perda de peso à base de proteínas e gorduras. E mais: “os carboidratos elevam o índice de insulina que acelera a conversão das calorias em gordura e triglicérides, aumentando o peso e o risco de problemas no coração”. Esse doutor tem 69 anos, é magro e saudável como um tri-atleta e faz furor com a sua proposta de dieta. Dr. Zequinha, SOCORRO! Numa hora, nada de álcool! Logo após, o vinho faz bem ao coração e agora, neste exato momento, ouço através da Nova Estéreo Som de Leme a mais nova notícia: “a Holanda manda nos dizer que cerveja faz muito bem para o coração. É melhor que o vinho!” E agora? Vinho ou cerveja? Manteiga ou margarina? Sal ou açúcar? Churrasco ou macarronada? Exercício ou repouso? Votar ou justificar? Orar ou blasfemar? Perdoar ou revidar? Fazer amor ou guerra?

          Ainda outro dia eu brincava dizendo que qualquer hora alguém ia dizer que cigarro cura o câncer. Não deu outra! Não é bem o câncer, mas já andam dizendo que o maldito vício pode atenuar ou impedir o aparecimento de certas doenças como, por exemplo, o mal de Parkinson. Pode? Quer saber? O melhor é dar ouvidos àquele alucinante apelo interno e satisfazer os nossos desejos mais exigentes e seja o que Deus quiser!

Absolutamente revoltada acabo de cometer um grande pecado gastronômico. Sorvi cinco garrafas de licor de variados sabores: cointreau, anis, framboesa, whisky e cereja. Além dos conteúdos devorei os continentes, de pura raiva! Afinal, eram só garrafinhas de chocolate da Kopenhagen, mas me senti vingada!