DOR

  MaristelDias

 

Em meio aos caseiros afazeres, eu me surpreendo

A caminhar pela casa, a ordem recompondo

Sem lágrimas, nem choro, mas gemendo

 As dores espalhadas que eu escondo

E  não quero admitir  que bem entendo.

 

Serão as pernas que doem se caminho?

 Serão os braços magoados que trabalham?

Surpreendo-me gemendo, agindo qual velhinho...

Mas constato, corpo são e mente sã se embaralham

Nos porquês dos gemidos, tristonhos, sem carinho.

 

Tão sem querer, porque  sei que não quero,

Esse gemido triste que meu corpo geme,

Causa do sofrimento e não sou eu que impero,

 É o meu coração, meu íntimo é que teme,

 Porque renunciei ao teu amor... É vero!

 

Renunciei a uma ilusão, mentiras meras,

Coisa infantil, amor de compaixão, quimera.

Não quero mais te amar

 É vero!... É vero!...

 

Segue teu rumo feito de enganos,

Porém a mim enganarás jamais!

 Gemidos e dores passam com os anos

E amor igual, quiçá, a ti a vida traz...