Em meio aos caseiros afazeres, eu me surpreendo
A caminhar pela casa, a ordem recompondo
Sem lágrimas, nem choro, mas gemendo
As dores espalhadas que eu escondo
E não quero admitir que bem entendo.
Serão as pernas que doem se caminho?
Serão os braços magoados que trabalham?
Surpreendo-me gemendo, agindo qual velhinho...
Mas constato, corpo são e mente sã se embaralham
Nos porquês dos gemidos, tristonhos, sem carinho.
Tão sem querer, porque sei que não quero,
Esse gemido triste que meu corpo geme,
Causa do sofrimento e não sou eu que impero,
É o meu coração, meu íntimo é que teme,
Porque renunciei ao teu amor... É vero!
Renunciei a uma ilusão, mentiras meras,
Coisa infantil, amor de compaixão, quimera.
Não quero mais te amar
É vero!... É vero!...
Segue teu rumo feito de enganos,
Porém a mim enganarás jamais!
Gemidos e dores passam com os anos
E amor igual, quiçá, a ti a vida traz...