Eu  vivo

                                                                                   Maristel Dias

 

 

Desafiei a força da vida, do destino.

Provoquei a morte. Uma vez, por amor.

Pela dor de um amor impossível.

Mas a única bala da arma falhou...

Ou falhou a vontade da arma...  aí,

Tive que arrastar-me de volta à vida.

 

Pela segunda vez desafiei a morte...

Mão cheia de pílulas coloridas

Teve força menor que a da vida...

De vez acordei para o destino

De sofrer o pouco amor, a ingratidão

De tudo o que levou-me à renúncia...

 

Dei-te, ó vida, o troféu final!

Tu venceste! És a campeã!

Nas mãos do destino me coloco

E deixo-me levar pela correnteza...

Sem lutar... sem pensar... sem questionar...

Se tenho que viver... eu vivo.