Maristel D.
Exílio, primavera de 1979.
Querido
Como
estás? Espero que tudo bem. Eu vou indo
Frágil
chama, prestes a se apagar. 
Alimenta
De
um resto de esperança e reclama
A
tua volta... O que às vezes me espanta
É
ver que ainda resisto, que insisto
Em
viver: ando, falo, canto, sonho, choro...
Até
rio! O que faz uma esperança!
Mas,
se antes que tu venhas...
Eu
me for... Ó meu amor
É
preciso que tu saibas
Que
foi a dor da separação
Que
minou meu coração
Que
tu saibas
Se
eu morrer
Que
foi de amor
Que
morri
P.
S. Aproveito esta carta
Que
talvez tempo não haja
Para
outra te enviar
Parabéns,
felicidades...
Pois
que aniversarias
Adeus
Um
beijo,
Te
Amo