Falando Francamente, mesmo

 MaristelD.

Certa vez, eu estava na secretaria de uma escola e a moça que lá trabalhava falava algo a respeito de um dos rapazes que se encontrava do lado de fora do guichê e eu perguntei: “Qual deles?” Ela respondeu : “Aquele moreno alto.” Havia 4 rapazes lá fora, um loiro, dois morenos e um negro. Novamente perguntei; “Qual dos dois morenos?” E ela: “Aquele morenão grandão!” Eu não resisti: “Você quer dizer  aquele negrão bonitão de dois metros de altura?”. “Esse mesmo.” disse ela, meio sem jeito. Minha gente! Eu sou morena, minha pele não é branca como a dos povos nórdicos, germânicos e até mesmo uma boa parte dos europeus. Sinto-me morena, embora algumas vezes com cabelos loiros tingidos para tapear os verdadeiramente castanhos que vão embranquecendo. Não sou loira. Loiros têm sobrancelhas, pelos púbicos e axilares loiros. Há que conferir! Esses são os autênticos loiros. Depois, temos raças que se misturaram e formaram tipos atípicos. Já viu japonesa de olhos azuis? Alguém me garantiu que conhece uma. Assim como também aparecem belos negros com verdíssimos olhos. A raça branca é feita de gente de pele branca e de gente de pele morena como os árabes, mouros, alguns portugueses, outro tanto de espanhóis e por aí vai.

Mas quando vem um racista, ou preconceituoso, espécie comum entre os temerosos repórteres policiais que ficam chamando de morenos aqueles homens de origem africana: negros, mulatos, cafuzos e falam assim: “eram dois elementos, um branco e um moreno”, fica-se sem saber o que quer ele dizer. Por que não falar da origem afra? E tem ainda os que chamam os filhos do continente Africano de pardos. Pardos? Para mim, pardos são gatos no escuro. O certo é dar nome aos bois. Ninguém pode se ofender por ser o que é, mesmo porque ninguém tem culpa de ser ou não ser. Opa! To be or not to be! A não ser que odeie ser ou não ser. Credo! Que confusão!

É mais ou menos o mesmo quando dizemos: “Vou dormir, não quero ser perturbado. Vou tirar o fone do gancho.” Que gancho? Vira outro e fala: “Põe esse fone no gancho!” Qual gancho?!!! Os primeiros telefones tinham um cone auditivo que ficava pendurado em um gancho e esse tal gancho continua a dar nome a um objeto que de gancho nada tem. Se a gente continuar pensando vai achar muitas coisas cujas palavras não transmitem a realidade daquilo que querem nomear. Quaisquer dias vão chamar de loiros aqueles puros afro-brasileiros jogadores de futebol ou os das bandas baianas porque oxigenaram as carapinhas. Pessoal da comunicação, preste atenção, olhe o que está por baixo. Se lhes for permitido, claro! E por lembrar Shakespeare vamos esclarecer o meu  

                                                          To  be...or not

 

Não importa... acabou...

Já não sei o que sou,

É o fim do meu show.

Vou fingindo viver

E espero

A vontade chegar.  

 A vontade de ser...

O que ser?  

Se não sei...

O que sou...

Volto-me ao passado

E procuro se fui,

Em meio ao nevoeiro,

Outono ou verão.

Vou fingindo viver...

E espero

A vontade chegar.

A vontade se ser

Ou não ser

Estação.

A verdade é que sou

O que sou. E não sou,

Já não sou

Primavera.

É o fim do meu show...