Faxina Geral-Ação!

                                                                                            Maristel Dias

É preciso fazer a faxina geral...

Limpar o jardim das ervas daninhas,

Acabar com os vermes do belo quintal,

Destruir detritos que entopem o esgoto

E tudo fazer sem o menor desgosto.

 

Analisar cada ser, amigo ou parente.

Separar do mal o bem e o bem do mal.

Queimar panos velhos em azeite quente,

Junto ao inútil sapatinho de cristal

E à maldade negar máscara de gente.

 

Banhar-se ao luar, em águas de sal.

Dizer ao amigo, o tal prepotente,

Que  desapareça, dê fim ao tormento,

Mas agasalhar pobre cão sarnento

E cobrir a nudez de almas  indigentes.

 

Abrigar o valente, o puro elemento,

Alimentar o faminto e ao vão, vomitar.

Lavar bem o chão, limpar os banheiros,

Tirar pó da mesa e com flor enfeitar

A água do banho com águas de cheiro.

 

Tirar da alma o lado negro, o venal,

Quem rouba e mente, o ser sem moral,

Que mata inocente no braço materno,

Deixar que derreta no fogo do inferno,

Para descontar seu pecado mortal!

 

Por fim desnudar-se de meias, sapatos

Tentar se igualar aos anjos eternos,

Amar quem te ama, cachorro e gato,

Fechar os portões, proteger do inverno

A árvore tenra, os matos sagrados.

 

E aquela porta que dá para o Norte,

Abrir tão somente se bater bem forte,

O amor, a justiça, a paz, a pureza

Daquele que veio ao planeta tristeza,

Para entender a beleza da morte.

 

Limpou o seu rancho e o seu coração?

Sobrou só beleza e cheiro de tinta?

Sol, chuva, flor, criança e canção?

Lançou sementes do amor com paixão?

Notou que a carniça do mal foi extinta?

          ...Completou a faxina!...