FIM

                                                              Maristel

                      

No entardecer esta agonia chega sempre.

Não sei quem é, ou o que é. Por que insiste  

Trazer saudades se eu não quero me lembre

Do amargo pranto, antiga dor que inexiste.

 

Anjo do mal, medo do fim, bruxa do bem?

Quem és, enfim, que atormentas fundamente?

Mostra-me o teu rosto, revela-te também

E diz para o que vens: se lápide ou semente.

 

O que queres de mim que já ando demente,

E nem mais sei que coisa crer ou desejar.

 

Abre teu jogo, pesadelo inconseqüente!

 

Se no final do dia  sempre chega e traz,

Anjo ou demônio...  Imploro a chorar...

Se tens de vir,  leva o temor e deixa a paz...