Finados

 

 

 Maristel Dias dos Santos

 

O que se faz com esse dia? Comemora-se?  Lastima-se? Recorda-se? Pranteia-se?

 Sinceramente,nunca soube o que fazer com finados, além de degustar melancias.

Finados, terminados, acabados, passados, extintos...

Na verdade apenas são assim aqueles restos enterrados em um local que se convencionou chamar de cemitério, pois que todos aqueles que  fizeram a trajetória terrestre e partiram, apenas partiram e sobre o solo deixaram as coisas pelas quais durante toda vida tentaram conseguir  acumular. Bens materiais, corpos siliconados, beleza artificial, maneiras convencionais que passaram de geração para geração. Essa é a vida fútil, as ilusões pelas quais vivemos e as quais abandonamos no instante final sobre o planeta. Livres e leves podemos então partir. Para onde? Bem, pensamos não saber, mas iremos para o lugar que durante a nossa vida física construímos. “A casa de meu Pai tem muitas moradas”, foram as palavras de Jesus, pois nem a Ele era dado saber o destino eterno de cada ser vivente. Por isso não vou ao cemitério neste dia.

Mas nós  preparamos para nós, durante nossa vivência, através de nossos atos e nossos sentimentos o nosso espaço cósmico, celeste, ou novas escolas, novas aprendizagens, até mesmo algum hospital que tente curar fraquezas e mazelas que a vida nos legou.

            Em um certo dia de Finados, estando em minha casa a minha querida mãe, sempre a exibir aquele olhar tristonho, desde que meu pai, seu esposo deixou-nos, perguntei-lhe: Mamãe, quer ir levar flores ao túmulo de papai?

Sua resposta foi  inacreditável e um ensinamento radical para mim; Pra quê, minha filha? Pobres florezinhas que murcharão sob este sol escaldante... E você pensa que o papai está naquele túmulo? Claro que não. Nada existe sob a pedra que ali colocaram.

Então pôs a mão sobre o peito e disse: Papai está aqui comigo.