Justiça cega

Por Maristel Dias dos Santos

 

              

                      Mas não é mesmo! Alguém colocou em seus olhos uma venda, de forma que ela não possa assistir à própria vilipendiação. Agora, a balança, me desculpem, mas esse símbolo deve andar viciado, pois  do jeito que as coisas vão os pratos dela jamais estariam no mesmo nível. Imagine dois ladrões, um em cada prato. O primeiro roubou um  remédio na farmácia, o segundo roubou milhões na construção do Fórum, em S.P. Como você  imagina que fique a balança? O prato do Lalau é mais pesado? Engano seu. A justiça manda logo para a cadeia aquele que roubou o remédio na farmácia e o Lalau deixa o prato da balança levezinho porque sai voando para Miami. E o seu sócio, aquele tal de Luís Estevão? Todo mundo viu. Ficou tomando banho de sol na balança da Justiça.

Outra imensa injustiça é a distribuição de renda neste país, porque os governos administram números, cifrões e estatísticas. Números não têm cara, nem lágrimas ou sorrisos. Cifrões não têm dor na coluna, nem pés chatos e estatísticas não têm estômago ou fome. Assim é feita a divisão: como professores, atendentes, faxineiros, lixeiros e outros tantos são em grande número, os cifrões precisam ser míííínimos, senão o orçamento estoura. Os cargos de confiança não são tantos assim e o cifrão, dividido por um número menor, cresce: é matemático. Depois vêem os secretários e vereadores, coisa de poucas dezenas e o cifrão torna-se generoso. Agora, se prefeito e vice é só um de cada, aí é sopa! O cifrão fica inteiro! E a estatística está aí para provar que esse é o modo mais certo de dividir o bolo, pois as colunas ficam equilibradas.

Além disso, há o binômio trabalho braçal de 8 a 12 horas diárias, sob sol escaldante ou situações de risco e o trabalho de chefia em salas refrigeradas, confortáveis poltronas em um período de, no máximo, de 6 horas. E o pagamento vem na razão inversa ao esforço dispendido. Cadê a Sra. Justiça?  Certo! Ela está de olhos vendados e nada vê. 

Mais um pouquinho de injustiça social? Os ricos safam-se facilmente de pagar impostos e os pobres pagam, com suor e sangue, até o último centavo para não perderem a sua casinha, os seus bens.

Outra injustiça que ruborizaria a Dona Justiça se de seus olhos caísse a venda? Juro que será a última desta coluna. Casais que podem ter com conforto e educar muitos filhos úteis à Pátria têm dois, e olhe lá!  Os pobres, ou porque não têm dinheiro para comprar camisinhas ou outros anticonceptivos vão deixando nascerem os meninos ao deus-dará e como o diabo gosta. Enfim, as leis naturais, mais justas que a justiça, igualam pobres e ricos em matéria de sexo, ou de prazer sexual. Felizmente... Ou não?