JUSTICEIRO

Anjo ou mulher?

 

 

Maristel Dias dos Santos

 

Caixa de texto:  Há um anjo em minha retaguarda

Que me protege, me ama e me guarda.

Aos que eu quero bem eleva e constrói,

Aos que eu detesto derruba e destrói.

Chego até a lhe pedir clemência

Não sabem ser pura demência

Ofender uma pobre senhora,

Pois aquele que fere ignora

Que esse meu anjo é anjo vingador.

Na medida exata, do mesmo teor,

Não sossega se não dá  o troco.

Esse meu anjo é um anjo louco.

Não sei se é do bem, se é do mal,

Só sei que é implacável, é fatal.

Porém  se alguém me ama e me agrada

Transforma o meu anjo em boa fada

Meu anjo desmancha-se em amores

E fartamente distribui favores.

Se algo dá felicidade a mim

Deixa o ar fragrante de jasmim,

Porém se nota que minh’alma sofre

Chega febril recendendo a enxofre.

É a visão terceira, é meu guru e conta

O que vai acontecer e eu fico tonta

Por falar de coisas que ainda não sei,

Mas segredadas foram por meu rei.

Coisas de um remoto ou próximo futuro

Que eu anuncio porque é seguro.

Fato muito sério ou engraçado fato

Que me revela esse anjo gaiato

É algo estranho, coisa transcendental

E queira ou não queira, é sobrenatural.

Faz tanto e tanto faz, parece bruxaria,

Mas por meu anjo eu oro noite e dia.

Não pense, todavia, que sou diferente

Na verdade igual mesmo a toda gente.

Em resumo, se saber você quer,

Vou revelar __ é bastante ser mulher

E de sua alma resgatar a inteira,

A luminosa, a sábia feiticeira.

                                                                  04/05/2000