Lamento de um passarinho
maristel
Quero chorar nesta prisão de arame
Enquanto sonho com campos em flor,
Enquanto espero que alguém me ame
Pelo que sou e não por meu clamor.
Quero voar até ficar cansado
E alcançar este espaço infinito.
Mas nesta solitária, enclausurado,
Cumprir não posso o destino bendito.
Voar, voar, voar... À exaustão,
E adormecer quando o sol se for,
Da mata amiga ter a escuridão
E despertar juntinho ao meu amor.
Quero buscar, eu próprio, o alimento
E o meu próprio ninho construir.
Ver meus filhotes a todo o momento,
Viver a vida que Deus instruir.
Mas fiquei preso em infame prisão
E enquanto sonho, grito o meu pranto
E enquanto morro, sonho a imensidão
E enquanto choro, dizem que eu canto.
E se você prende pássaros em gaiolas e depois mata os gatos que querem caçá-los, pense nos dois grandes erros que comete: 1O- torna-se assassino de um animal cujo instinto é a caça. 2O- Coloca a presa em uma armadilha, que, se livre estivesse, teria como escapar das garras do inocente felino. Quem é então o grande culpado?