Meu Filho- 1970

Maristel Dias dos Santos

 

 

Quando nasceste, meu filho,

Eu pretendi, que heresia!...

Porque o Natal vinha vindo,

Comparar-me com Maria.  

É que a mulher-madalena

Porque chegava o Natal

Sentia-se redimida

No milagre maternal...

                       

E ao te ver... Homem-menino,

Vindo de amoroso ventre,

Cheguei a crer-te divino.

                 

Mas ao lembra-me da cruz

Desejei-te apenas homem

Em vez de Cristo-Jesus.                                              

 

1995.

“Quando nasceste, meu filho...” foi assim que comecei

Um soneto pra você... Há tanto, tanto tempo...

Ainda usava “tu” e procurava na gramática,

Na métrica, na rima a perfeição da poesia.

Mas o tempo passou e eu deixei a ortodoxia.

Aceitei a imperfeição, tornei-me bem mais simples

E por isso mais verdadeira, mais concreta...

Fiquei mais tristonha... Porém mais feliz.

Mais ativa... Porém mais devagar.

Mais velha... Porém mais sábia.

”Quando nasceste, meu filho...”

Quis transformá-lo em um deus, mas você, pra minha sorte,

Transformou - se em um homem: meigo, bom, machista, tolo, teimoso, sincero, amigo, preguiçoso, capaz, corajoso, forte, indiferente, apaixonado,...

Transformou-se em você... E você, assim como é,

Exatamente como é, é ainda o meu bebê.

E eu  “te” amo !