Misericórdia Maristel Dias
O silêncio desabou pesado sobre a dor
E a cristalizou no coração do homem.
Veio e levou a voz cantante do cantor
E consumiu tudo aquilo que consome.
O silêncio caiu pesado sobre os copos
E os exibiu em cacos transformados.
Sobre a mesa... Copos e seus devotos,
Sobre a mesa, sobre a dor, equilibrados.
Dormiu no chão, sem panos ou cobertas.
Na surdez mortal da voz de uma mulher.
Todas as chagas expostas... Tão abertas!
Para o asco de quem vê e não reverencia
A misericórdia do silêncio ou também tiver,
A mesma dor, que só o silêncio silencia...
24/09/05