Nascimento, vida e morte_piedade!
MaristelDias
Tão pequenino, indefeso, dependente,
Chega ao mundo e é tão somente enleio
De
mãe, de pai, de todo semelhante...
E, nos braços da mãe, suga-lhe o seio.
Agora, adulto, devolve alegria em sofrimento
Aos que, irresponsáveis, deram-no ao mundo
E porque o mundo é cruel torna-se tormento
Em vez de amar a vida, cria ódio profundo.
_Para que pai? Para que mãe? Olha: sou gente...
_Ganho meu pão, a minha vida é só encanto!
_Esqueço o antigo e amoroso cuidado inerente...
E para si mesmo mente e arroga-se um santo...
Seu carro moderno, lindo, de leve volante,
Não lembra o que custou tal formação.
Trabalha, ganha e exibe, alegre e galante,
Pensa que a ninguém deve obrigação.
Mas para os velhos pais a vida é difícil.
Já nada é alegria... Só solidão e dores.
Descem degraus e os vê qual precipício.
Temem a queda e causar mais dissabores,
Daquele que foi motivação de toda a vida,
O bem maior, doce promessa de esperança,
Ainda esperam o consolo... Depois de toda lida,
Nos braços do filho amado voltar a ser criança...