Nem prata nem ouro
Prêmio
“Consagração” na 1ª Seletiva de Poesias, Contos e Crônicas de Barra
Bonita - S.P.
Não
tenho prata nem ouro,
Não
tenho cargo importante,
Não
tenho nome famoso,
Sou
sem teto, sou sem chão.
Os
bens que persigo e tenho
São
bens muito mais duráveis,
São
antiguidades raras,
Criadas
em tempos de antão.
São
bens que a traça não come,
Que
a ferrugem não consome.
São
bens eternos, perenes,
Recicláveis
sem limites.
Eu
tenho o dia e a noite,
Tenho
o céu estrelado,
O
inverno, o verão...
A
superfície da terra
Me
pertence,
no momento,
Que
meu pé pisa o chão.
É
minha a mais linda tela,
Obra
do divino artista,
Diariamente
recriada:
“Poente
em minha janela”
Sou
dono da atmosfera
Que
preenche o meu pulmão.
Possuo
alma poeta
E
amoroso coração.
Tenho
a fé ilimitada
Na
harmonia das esferas.
Os
tesouros que acumulo
Ninguém
rouba ou destrói.
Tenho
a palavra na boca
E
nos ouvidos o som.
Tenho
mãos habilidosas
Que
sabem ser carinhosas.
Tenho
os perfumes mais caros
Feitos no campo, na flor.
É
minha qualquer estrada.
É
meu o sol que aquece
E
o vento que acaricia.
É
meu esse mar profundo.
Do
lago, é minha, a magia
E
dos rios e seus mistérios
Sou
dono, por sincronia.
O
maior bem que possuo
É
o tempo todo do mundo...
Sou
cidadão do universo,
Nele
eu sou importante,
Dele
ganho a proteção.
Nada
tenho, prata ou ouro,
Mas
sou filho do Patrão!