Nem prata nem ouro

Prêmio “Consagração” na 1ª Seletiva de Poesias, Contos e Crônicas de Barra Bonita - S.P.

Maristel Dias dos Santos

Não tenho prata nem ouro,

Não tenho cargo importante,

Não tenho nome famoso,  

Sou sem teto, sou sem chão.  

 

 

                                                

 

 

Os bens que persigo e tenho

São bens muito mais duráveis,

São antiguidades raras,

Criadas em tempos de antão.

São bens que a traça não come,

Que a ferrugem não consome.

São bens eternos, perenes,

Recicláveis sem limites.

Eu tenho o dia e a noite,

Tenho o céu estrelado,

O inverno, o verão...

A superfície da terra

Me pertence, no momento,

Que meu pé pisa o chão.

É minha a mais linda tela,

Obra do divino artista,

Diariamente recriada:

“Poente em minha janela”

Sou dono da atmosfera

Que preenche o meu pulmão.

Possuo alma poeta

E amoroso coração.

Tenho a fé ilimitada

Na harmonia das esferas.

Os tesouros que acumulo

Ninguém rouba ou destrói.

Tenho a palavra na boca

E nos ouvidos o som.  

Tenho mãos habilidosas

Que sabem ser carinhosas.

Tenho os perfumes mais caros

Feitos no campo, na flor.

É minha qualquer estrada.

É meu o sol que aquece

E o vento que acaricia.

É meu esse mar profundo.

Do lago, é minha, a magia                                 

E dos rios e seus mistérios

Sou dono, por sincronia.

O maior bem que possuo

É o tempo todo do mundo...

Sou cidadão do universo,

Nele eu sou importante,

Dele ganho a proteção.

Nada tenho, prata ou ouro,

Mas sou filho do Patrão!