Nós, brasileiros

Triste história

Maristel Dias dos Santos

 

Aquela notícia trágica. Em Araras, um garoto de 14 anos suicida-se por enforcamento no banheiro de sua casa. Não procurou uma árvore, nem expôs a deliberação de seu ato aos possíveis “deixa pra lá”,  ainda bem que chegamos a tempo”, ou ‘o que ""  tá pensando em fazer, moleque?”. Nada disso. A decisão era firme e não admitia impedimentos. Teve também a sensibilidade de ser discreto e não levar a cabo seu pavoroso intento diante dos olhos dos irmãos menores. Enforcou-se no banheiro, local apropriado a garotos da sua idade para fazer coisas também discretas como ler revistinhas pornográficas e se masturbarem.

Penso no fato, na discrição, na firme decisão, talvez até em sua vergonha diante do ato extremo que iria praticar e fico a conjeturar sobre os motivos, tentando adivinhar pensamentos que iam por aquela cabecinha ou pelas dores que preenchiam aquele coraçãzinho. Penso nele e, por extensão, na mãe e nos irmãozinhos,  uma vez já abandonados pelo pai, único responsável por aquelas tristes vidas.

Penso nesses maravilhosos 14 anos repletos de sonhos, desejos e anseios frustrados, impedidos, proibidos para aquela criaturinha mal amadurecida na vida, cujo peso dos encargos, o peso da cruz, foram excessivos para seus frágeis ombros.  Depôs sua carga em terra e voou, livre e solto, sabe Deus para quais sítios. Jesus, que amava as criancinhas, haverá de acolhê-lo em seus braços, pois Ele, Deus tem o discernimento para julgar a verdadeira culpa e a quem cabe responder por ela.

Nosso menino  podia ter abandonado a pesada carga e partir para a rua em busca das aventuras que deviam povoar seus sonhos, mas como que pedindo perdão, imolou a própria vida. E é nesse cenário criado por minhas elucubrações que eu posso ver distintamente o retrato ampliado do país em que vivemos. O chefe da família abandonando seus filhos e mulher ao deus-dará, forçando a mãe a abandonar crianças em casa para ir ganhar o pão de cada dia, deixando os pequenos ao léu. Esses pequenos, todos nós brasileiros, a nos querermos livrar do peso insuportável em nossos lombos e os de fora, os que de longe observam as nossas moradias e  pensam:“Olha só que beleza essa casa ordeira e bem cuidada, mesmo na ausência displicente de seus chefes.” Vêem de longe, mas se entrassem na casa iriam ver os sofrimentos, as necessidades, os sonhos pisados ao chão,  de nós,  crianças desamparadas e perdidas atrás de esmolas para manter a aparência externa de nosso lugar, deste nosso país,  de  nós... brasileiros!

Por isso tudo sou obrigada a dizer: Viva os argentinos que lutam contra a desigualdade social de seus irmãos e vão derrubando governos incompetentes pois não querem se transformar nessa massa manipulável pelos donos do poder! Abaixo a ALCA. Amigos, atentos!