O povo tem o
governo que merece
Maristel
Dias dos Santos
É com dor no coração que proclamo a máxima que detesto e que nomeia
este pequeno texto.
Tão necessário e reclamado para a nossa cidade um Corpo de Bombeiros foi
com alegria que vimos os primeiros e efetivos preparativos para recebê-lo.
Foram anos e anos de dependência das cidades vizinhas, sofrendo as fatais
conseqüências desse fato: demora no atendimento, destruição maior que a
necessária, impedimento para que novas empresas aqui se radicassem e portanto,
menos empregos oferecidos à população necessitada. Décadas pedindo,
cobrando e agora... viva! Organiza-se o desejado bem público que pode
significar a diferença entre a vida e a morte e o quê acontece? Mal começa e
já se destrói. O primeiro hidrante essencial ao trabalho de combate ao fogo é
depredado! Mas que povo é esse que quer ter motivos para chorar lágrimas de
crocodilo? É muita ignorância! E é aí que entra a famosa frase __ “Cada
povo tem o governo que merece”. Porém, se debitarmos aos governos (todos) a
culpa pela precariedade na educação desse povo destruidor e ignorante de seus
direitos e deveres, podemos inverter a máxima popular __ Cada governo tem o
povo que merece.
Foi na década de 80 que, em todas as reuniões pedagógicas, pregava-se a
democratização do ensino. Lá já se vão 20 anos. Na ocasião eu pude
entender que essa democratização significava trazer quem quisesse e quem não
quisesse para dentro da escola. Alimentar, dar livros didáticos (emprestar,
melhor dizendo), formar rapidamente professores em cursos de fim de semana, não
exigir uniformes, para falar a verdade, não exigir nada e dar tudo, até mesmo
o direito de bater nos professores, levar drogas e armas para dentro da escola.
Ao mesmo tempo impediam completamente que um professor capacitado ensinasse,
educasse. Acabaram por forçar a promoção automática de uma série para a subseqüente, mesmo porque quem nada aprende como pode passar por uma prova, como
pode ser avaliado? O que conseguiram foi transformar a escola em um depósito
de miseráveis e para cuidar de miseráveis não precisaram mais que miseráveis.
Ficou evidente que a intenção era dar maior fôlego para as escolas
particulares. Houve então uma separação. Quem podia pagar fugiu da escola pública.
E a isso chamaram democratização! Eu diria que aí começou a exclusão. Uma
diretora muito sábia disse-me nessa ocasião:
“O feitiço acabará virando contra o feiticeiro e dentro de 20 anos iremos
assistir ao resultado dessa nova filosofia educacional.” E aí está!
Aquela magnífica pedagoga profetizou e hoje o governo está em palpos de aranha
com essa nova geração de homens e mulheres que só conhecem direitos e só
querem facilidades. Haverá conserto? Se for que não, o que nos trará os próximos
20 anos? Não serei eu aquela que profetizará tanta desgraça. Aliás, nem
pretendo estar mais neste planeta ingrato e burro.
(me perdoe o digno burro
verdadeiro)