O VERBO

  Maristel Dias


Os dias escoam aos borbotões

    Do poço da existência.

    Deixando a nos debater,

   Tentando

   Permanecer na superfície.   

   Nossa roupa carnal

   Nos atrai para o fundo,

   E cada dia que vai

   É sempre um dia a menos,

   Nunca é um dia a mais.

   Dessa torrente que sai

   Do poço da existência,

Com a última golfada ,

Partiremos

Ao encontro do mar,

De um mar cósmico

   Que não se esgotará jamais.

Nesse mar brilhante e denso,

Energeticamente saturado,

O verbo feito carne ficará

Repousando ...

O corpo fluido, liberto

Da maldição carnal.

    ...Repousará...