Outono de Maria

Maristel Dias 

É fim de estação... Finda o verão...

Dorme Maria, nua, sob estrelas,

Que pela janela aberta espiam...

                                               Atrevidamente...

Profundo sono impede de vê-las...

Dorme Maria, nua, como um anjo...

A pele suada cintila molhada,

Reflete a luz de uma lua cheia.

Gotículas brilhantes são estrelas

Que do céu descem para protegê-la.

Formam constelações, geométrico arranjo

De jóias raras, preciosas gemas,

                                               Artisticamente...

No corpo abandonado de Maria.

A inconsciência é plena letargia

Sem peias, nem algemas...

                                               Descuidosamente,

Entrega o corpo nu ao sono ardente.

A madrugada chega e pouco a pouco,

Expulsa o verão... Traz o outono.

Numa aragem fresca, ondas oceânicas,

O corpo percorrem, uma após a outra,

                                               Intermitentemente...

Sobre o sono inquieto de Maria.

Sonha Maria, sonha, sob estrelas,

Que mão gentil em extensa carícia

Desperta a pele em longos arrepios...

Sorri Maria em seu sono profundo,

Abraça-se, enrodilha-se e suspira...

                                               Sensualmente...

Não pode crer que o que sente é frio.

Dorme Maria um agitado sono.

Não se dá conta que esse amante louco,

É tão somente um renovado outono...