Paixão platônica

           Maristel Dias dos Santos

 

 

 

 

 

Então você me olhou de modo absorto

Durante o tempo todo que desfilei  naquele salão.

Encarei para dizer “bye”, mas você que olhava  não via.

..........“Um real pelos seus pensamentos......”.

Intrigada, da cabeça não sai o estranho comportamento.

Afinal, o que tenho de atração a exercer

Sobre alguém como você?

Ao telefone confessa

Que a minha casa procurou...

Desconfiada, pergunto: para quê?!

Uma poesia sua eu ver.

Quando minha casa encontra,

Traz (maravilha) um violão!

E aí falamos de versos, de rimas,

Misturamos Caetano com arroz,

Peixe com Raul Seixas,

Vinho com Martinho da Vila.

Por fim,  juntamos sorrisos

Dentro um abraço fraternal

De despedida __Você e o seu violão,

Intrigada, permaneço tonta,

Lembrando o seu olhar que não me via.

Descobri, afinal, que a atração fatal...

...Era fome de poesia...

E só quem a tem na veia

Pode entender dessas coisas:

Fogo tão forte que ateia

Ardor em nossas entranhas,

Chamas no coração...

Amor intelectual,

Platônica paixão!