Palavras de uma filha

Para a Telzinha

Maristel (mamãe)

Mãe! Olha pra mim, mãe! Eu cresci!

Já não sou mais a tua menininha

E se ainda aqui estou é só por ti,

Porque tu, mãe, és mãe criancinha

Que com dengos e rogos pretendes me prender

Dentro da tua estéril solidão.

Não quero ser o prêmio de consolação,

Aquilo que restou de tudo que perdeste.

 

 

O teu cuidado, o teu temor maior ,

É descobrir que és, além de mãe,

Que ainda és mulher!

 

Mãe, não deixo de te amar quando te deixo.

Quero só viver a vida que me deste.

Não tenho culpa se ao dar-me a vida,

A tua, mãe, tu renunciaste.

Não posso devolver a tua vida,

Mas posso fazer da minha algo de belo

Em homenagem a ti, que a criaste.

Mãe, perdoa a filha que julgas ingrata

E pensa que ela tem razão, talvez.

Por mim, por ti, te peço mãe amada,

Renuncia outra vez...