Pelo
teu aniversário
maristel
Este verso, eu peço, tu deves guardar.
É o presente único que posso te dar.
No dia em que eu queria dar-te o universo!
É permitido apenas dar-te um verso...
Queria dar amor, carinhos, beijos,
Satisfazer caprichos e desejos...
Queria dar-me, a ti, nua, indefesa,
Nascida hoje, ser toda pureza,
Porque p’ra ti é pouco te dar tudo!
... E tudo que eu tenho é tão pouco...
Mas nada posso dar-te... É perverso
Que tenha de te dar só este verso!
Nem o abraço amigo, o beijo irmão...
Mas, olha, é segredo, dou-te o coração.
Guarda-os junto: verso e reverso,
E os enterre ao pé de uma roseira
Que seja rubra como a fogueira
Do meu amor que não se extinguirá
E quando dela, uma rosa nascer,
Se for o teu desejo ver... Tu poderás,
Que é a minha boca a se oferecer
À tua boca... Doçura infinita...
Recebe, então, este pobre presente...
E cumpre, assim, meu desejo final,
Guarda as palavras em teu coração
E este amor... Enterra-o em teu chão.