Poema safado
MaristelDiasdosSantos
_A chuva bate estridente
Na janela e no jardim...
Bem que eu ficava contente
Uma chuvinha em mim...
Foi o que disse a maninha
Se enrolando no edredom
Queria estar molhadinha
Porque disse que isso é bom.
_Maninha, cria juízo
E para de rebolar...
Uma chuvinha é preciso
Para o seu fogo apagar...
Mas se for inundação
Ficas de barriga d’água,
Feia e sem salvação,
Pois teu marido te enxágua.
Melhor ir ver o almoço:
Se derrete a mandioca,
Se o chouriço está bem grosso,
Se está no ponto a paçoca.
Ela diz, dito tristonho:
_Se não vens o caso é bravo,
Pois se eu lavo, eu não cozinho
E se eu cozinho, eu não lavo!
Trova (cacofatônica)
Não beija a boca dela
Ela é minha, tua não!
E se não posso amar ela,
Já nela não penso não!
Tumemo café e fumo
Eu ca minha, cumade ca dela
Levo o pão, ela a chaleira
Vê que o cumpade tem ela
A rosa do cume e cheira
Folclórica
Em cima daquele morro
Tem um velho relojoeiro
Quando vê perna de moça
Faz relógio sem ponteiro