Polivalente

M.Dias

 

Transformo minha pena em pincel

Quero pintar a luz, a chuva, o sol...

O homem, a criança, o cão, o céu...

As tintas eu apanho no arrebol.

Transformo minha pena em cinzel

Para criar a forma mais precisa,

Aprisionar, aqui, no meu papel, 

 

E a rara beleza da mulher.

 

Transformo minha pena em bisturi.

Quero poder cortar a carne viva

Tumor maligno d’alma  extrair

E transplantar o mal em bem-me-quer

Transformo minha pena em ferramenta,

Para poder criar um mundo bom e são.  

 

Para em solo fértil plantar a semente

E o grão ceifar para fazer o pão.

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Há de ser minha pena o instrumento

Que levará beleza, luz e cor,

Criará  fé em lugar do lamento,

Tentará ... tentará...  humildemente,

Reproduzir as obras do meu Criador,

Dia após dia, incansanvelmente.

 

 

 

1997