Ponto de Vista

Maristel Dias dos Santos

 

 

 

 

Naquela manhã em que três gatinhos bebês foram encontrados em uma caixa carpetada em bairro de classe média, Jardim do Bosque, li esta pagina na rádio Cultura de Leme: Eu preciso dizer uma coisa para o bem estar da cidade e talvez do mundo. Por favor, pensem bem no que vou lhes dizer e acreditem em mim. Se preferirem não crer em mim, acreditem nos grandes filósofos e homens sábios que viveram, meditaram e manifestaram-se com palavras numa tentativa de conscientizar a humanidade para uma realidade da qual poucos fazem caso, mas que é a maior verdade de todos os tempos:

·        Gandhi falou: A grandeza de uma nação pode ser julgada pelo modo como seus animais são tratados.

·        Albert Shyeitzer, Prêmio Nobel da Paz de 1995 falou: Quando o Homem aprender a respeitar até o menor ser da criação, seja animal ou vegetal, ninguém precisará ensiná-lo a amar seus semelhantes.

·        Flávio Barbosa, nosso amigo que, filosoficamente, resumiu tudo em poucas palavras: Deus perdoa; a natureza, não!

         Queridos amigos, o sofrimento, a dor, o choro, a agonia de qualquer ser vivo sobre a face da Terra eleva-se ao Cosmo assim como as águas dos rios e dos lagos formam a nuvens e depois retornam sob forma de chuva. O Sofrimento físico, os gritos e lamentos dos animais maltratados não morrem sem suas gargantas. Espalham-se pela estratosfera em ondas que infinitamente se multiplicam e, inexoravelmente retornam á Terra sob forma de miséria, violência, revoltas, ódios e vinganças, desenvolvendo sentimentos de dor.

         Isto não é retórica. Todas estas coisas estão sendo provadas cientificamente. Tudo que aqui emitimos, palavras e atos, para nós retorna multiplicado. É preciso que todas as pessoas, gente comum, médicos, hospitais, veterinários e, principalmente governantes, acreditem nisso e mudem o rumo de nossa História trágica e infeliz.

Após ler o que escrevi naquele momento de dor fiquei brutalmente entristecida e mais tarde tive de também desabafar. Hoje arranquei de minh’alma um tecido sutil que nela crescia. Vinha há muito tempo se formando, mas era um montículo aqui e outro acolá, verrugas esparramadas que pareciam crescer até se juntarem todas as partes em um bloco só quando então pude enfiar as mãos em garras e lá de dentro arrancar tudo, de uma vez só, com tanto ímpeto, coragem e determinação que um pedaço da alma veio junto. Pude então exibir, não com ares de vitória e sim de pesar, porque havia sangue em minhas mãos e a alma lá dentro de mim reclamava o seu pedaço perdido. Pronto! Esparramei-o por toda a cidade. Cada pedacinho do cancro com um pedacinho da minha alma. Lavei as mãos, como fez Pilatos e agora me recolho, quero adormecer relaxar, para dar o tempo que a alma precisa para se recompor. Amanhã estará inteira e não mais sentirei esse vazio, essa dor dentro de mim.

Estarei refeita e então, novos brotos nascerão, esticarão metástases e mais uma vez o tumor pesará e incomodará até que, algum arrojo provocado por um incidente externo, obrigará a uma nova intervenção: mãos em garra a arrancar pedaços de estranhas entranhas misturadas à alma e mais uma vez as pessoas atingidas hão de se contaminarem e sofrerem o mesmo mal que consome pessoas sensíveis e conhecedoras do bem e do mal que habita o coração do Homem.