Poema pós morte
Maristel Dias
Não vai, meu amor... ainda é tão cedo...
Abro as cortinas e o sol nem nasceu...
Olha que ainda prometo, concedo,
Um resto de gozo que não feneceu.
O que te oferto, nem corpo, nem carne.
Nem mesmo um café para te despertar.
Lá fora está frio e neste leito arde
Calor de um corpo que a ti se quer dar.
Fica comigo... lá embaixo da terra,
Há vermes famintos a te esperar.
Aqui tens abraços que sem ti encerra
A dor de sozinha, de tão só ficar.
Se está mesmo morto, prometo ficar,
Bem quieta ao teu lado e nada falar.
Ninguém saberá e quando chegar
Gente estranha que vem nos achar,
Verá nossos corpos se deteriorando,
Restos dos meus braços a te abraçar.
Aí saberão quanto amamos e amando
Morremos de amor para juntos ficar.