Procura

Maristel Dias

 

 

Minha janela abri... Gritei teu nome...

O teu nome eu gemi... Cadê meu homem?

Olhos ansiosos percorrem o horizonte

Olhos amorosos procuram a fonte,

A fonte da vida que a minha se esgota

 Na tua ausência e a alma semimorta

Grita ao tempo... Ao vento... O teu nome.

 

A minha porta abri...Ganhei o mundo...

A Terra percorri do mais alto ao mais fundo

 E me feri na caminhada. Em cada hemisfério te busquei

E o mistério persiste... Cansada retornei...

Cadê você? Vasculhei cantos e vãos...

 Em vão... Nas pregas dos mantos

No meio dos homens, nos olhos dos mortos...

 

Meu coração abri... Esvaziei no chão,

Como se faz à gaveta de recordação

E procurei entre as coisas... Meu Deus!

Quanto traste havia no meu coração!

Os rancores joguei fora, imprestável a esperança,

 Os amores pus de lado, as mentiras eu queimei.

Conservei umas verdades... E, de repente, num canto...

No canto mais resguardado, eis que te encontro, amado,

Dentro de uma saudade...