Reconhecimento?

Disse então para a filha:

"Quanto ao resto, esquece, não chegarei à demência, pena que irei antes, sem dar
tempo aos meus filhos de demonstrar amor e reconhecimento."


 Foi esta frase que inseri no e-mail em resposta ao dela, com tanto sarcasmo e pouco caso.

 

E foi ela também que me fez pensar: por que uma mãe tem de esperar amor e reconhecimento de filhos que

 não pediram para nascer.

 Bastava não querer. Mais ainda hoje, quando preservativos de todo o tipo existe.

Então fico a olhar aquela foto da árvore velha tendo seus rebentos em torno e me pergunto porque permiti

 que tantos galhos brotassem de mim?

Cresceram e se fortaleceram usando a seiva da árvore velha.

Depois, mais uma vez, permissivamente, aceitei a poda e me desnudaram.

Que boba pensar que, autônomos, esses galhos voltariam para acarinhar, amaciar a terra em torno das

 raizes, enriquecer com flores e encobrir a nudez do velho tronco.

 

 

 

 

Muito pelo contrário, esses tenros galhos foram-se transformando em troncos e também permitiram que jovens  galhos brotassem para orgulhosamente exibi-los e todos dissessem:

Olha, que bela árvore! Mas só a árvore sabe das dores e dos loucos esforços dispendidos até ver seu galhos desenvolvidos e fortes que mais dia, menos dia, irão maldizer aquela que os inventou e os jogou no mundo.

Demonstrar  carinho e reconhecimento pelo mal que lhes foi feito? Fala sério! Ela que se vire e morra logo de modo que sobre espaço para os novos que nascerão.

Feio? Nada romântico? Nem um pouco auto-ajuda?

Quem sabe, enxergando a realidade, possamos nos iludir menos, esperar menos e sofrer menos.