Rejuvenescer

Aquilo que todo aquele que deixou de ser jovem deseja

 

 

 

Navegando pelos intermináveis canais da minha TV a cabo (até que enfim, a maravilha eletrônica do falecido século) vi pequeno trecho de um debate entre um reduzido grupo de pessoas de idades diferentes cujo tema era esse - rejuvenescer e parei um instante para ouvir os argumentos daquele cantor carioca, um dos Agnaldos dos anos 50 que em torno dos 60 confessava haver feito uma plástica para se olhar ao espelho e se sentir jovem. Tive de rir. Mas nem nascendo de novo, amigo! Bem, para sermos menos maldosos digamos que com boa vontade poderíamos julgá-lo com 50, mesmo levando em conta que na TV pouco se faz idéia da verdadeira aparência  do personagem, pois cabelos tingidos, maquiagem e um bom câmera-man fazem milagres.

Se a gente analisar bem as vítimas dessa causa, cirurgia plástica com o objetivo de rejuvenescer chega-se à conclusão que apenas se tornaram  idosos sem rugas, velhos sem papadas, sem pálpebras pesadas, mas continuam idosos. Ganham, é verdade a pele esticada, e ficam com aquela cara de boneca, sem a menor expressão; cara de vidraça e a cada nova intervenção mais e mais inumana fica parecendo. 

Onde o brilho, a frescura, a inocência fulgurante, a espontaneidade graciosa do jovem? Que plástica poderá dar jeito nisso? Mesmo porque a face é apenas a 1ª e a mais evidente vitrine que informa a idade do ser humano, mas o resto do corpo vai atrás: barriguinha indomável, gordurinhas mal distribuídas e esqueleto deformando-se implacavelmente. O mais certo é que tirando todas as mazelas da velhice através de cirurgias e terapias diversas, o velho continua velho. Apenas mais felizes com eles próprios porque eliminaram as marcas registradas que a idade deixou.  Pior é que a prática se transforma em um vício, uma necessidade urgente, uma luta perdida contra a infalibilidade do tempo.

Mas, não chorem, por favor, pensem que só o que sofre essa influência e se deteriora, queiramos ou não, é a matéria física. Ela já nasceu condenada e começa a morrer logo que nasce. Resta o eu sutil, a massa energética de valor imperecível. Esta é eterna e é nela que podemos acumular nossos cuidados e tesouros. Os únicos desta terra que carregaremos conosco e quanto mais a polirmos e burilarmos, maior brilho e luz terão através dos séculos e milênios.

         Então, vamos lá... Doutor, opere em todos nós o milagre de sermos sábios, ou de, pelo menos, tentar encontrar a sabedoria, a bondade, a paciência, o amor e tudo acabará bem... Ou melhor, não acabará jamais!