Sabedoria Natural

MaristelDias

            O tempo já andava prometendo chuva. A natureza é sábia e faz tudo a tempo e hora, quando chega ao limite de uma

 situação natural como frio, calor, seca, pó.Pó. Era essa a questão crucial que vinha ultimamente assolando, principalmente o

 pessoal dos bairros periféricos, das ruas sem asfalto. O tema era esse e na Rádio o nosso caro Amauri intercalava suas frases

 com essa palavrinha: pó. Eu já estava até ficando desconfiada de qual pó estaria ele se referindo, mas como todo mundo ligava

 para lá reclamando da poeira, convenci-me que o tal pó era mesmo aquele levantado pelos caminhões e carros sobre a terra

 seca e vermelha, rica terra que forma a nosso solo. Pó, poeira entrando nas casas, nas roupas, nos cabelos, nos olhos, nos

 pulmões e causando males respiratórios e mal estar físico e psicológico. Foi então que a natureza interveio e fez aquele auê!

 Despertou o mais violento dos ventos de agosto e cobriu a cidade de pó. Eu corri cerrar as vidraças, mas fiquei assistindo

 encantada à explícita manifestação da natureza. Ela veio com duas intenções específicas: 1ª- sacudir as árvores, abrir favas,

 libertar sementes e levá-las o mais longe possível para garantir a germinação das sementes e o surgimento de novas árvores

 para suprir as que o homem derruba. 2ª- Levar ao povo do centro asfaltado o gostinho do pó e nos fazer assistir a invasão de

 nossas casas e dos nossos corpos passivamente, impotentes contra a força magnífica da natureza que parecia festejar ao jogar

 papéis, sacos plásticos, folhas e flores para o alto. Uma festa! Mas para tudo dar certo e acabar tudo bem faltava a convidada

 de honra: a chuva e com ela a natureza completou seu trabalho magnificente. Trouxe a chuva.

Chuva de Verão

Ela chegou enfim... Fresca, brilhante,

Cantando, louca, uma canção sem fim...

Cujo estribilho é tão saltitante

E o tema principal de arrojo, assim...

 

Que nos transtorna alma e sentidos

E nos provoca uma alegria louca!

Quero dançar contigo... Estar perdido

Dentro de ti... Cantar por tua boca...

 

Chegaste quando a morte era esperada.

Já via hirta a natureza inteira,

Imóvel, silenciosa, ensimesmada...

 

Chegaste... E só importa esta chegada...

Porque trouxeste assim, dessa maneira,

De novo a vida, ó chuva abençoada!

VOLTAR

Página principal