Se eu fosse o vento

                                                                                            Maristel Dias

 

Vento forte, vento norte

Vento que balança as palmeiras                  

Como se fossem longas cabeleiras

E despetala as flores da roseira                                             

Num festival de cores, carnaval,

De confetes e de serpentinas

No palco teatral e no arraial

Vento que invade e no telhado espia

Os sacrossantos e misteriosos

Arroubos íntimos sob os dosséis

Se eu fosse o vento

Eu criaria anéis

E nesse intento invento

Alianças desenhadas em volúveis papéis

E em torno de ti eu pintaria

Um remoinho de flores perfumadas

E te carregaria a viajar por mares

Por águas nunca d´antes navegadas

Sonhando as cores de um arco-íris

Se eu fosse o vento

Entraria em teus cabelos,

Em tuas roupas e arrojado,

Indiscreto e inconveniente

As saias femininas eu esvoaçava

E as tuas roupas eu as enfunava

Se vento eu fosse...

Aí então eu morreria,

Em tua pele eu me acabaria!

Mas não sou vento

Sou só pensamento...