Ser
ou não ser...
Maristel Dias
Não ser... Pois nada é. Tudo vem e vai como as ondas do mar e cada onda é uma onda, ou melhor, é outra onda. O rio que você vê, se piscar o olho, ao abri-lo não mais verá o mesmo rio. É outro rio esse que você vê agora e cada vez que você olhar será sempre um novo rio, pois aquele que foi, não volta.
Fique olhando um botão de rosa. Não
tire dele o seu olhar. Continua sendo um botão de rosa? Sempre igual? Parece.
Mas aí você vai dar umas voltas e quando retorna encontra uma rosa aberta onde
há pouco tempo havia um botão de rosa, como se tivesse acontecido um passe de
mágica.
As mudanças, as transformações
podem ser lentas, tão lentas que você não consegue assistir à mudança de
estado, o que não impede que você confirme e creia que o fato aconteceu. Do
mesmo modo acontece com todas as coisas em torno e dentro de você numa dinâmica
incontestável. A natureza vive essa constante transformação algumas vezes
para evoluir, noutras para involuir, desaparecer, morrer.
Todos os seres vivos, animais,
vegetais e até mesmo os minerais são partes da natureza e naturalmente seguem
o mesmo ritmo de crescimento ou defasagem. Até mesmo coisas que parecem estáticas
como as rochas, os utensílios domésticos,
as pedras, os metais são diferentes a cada minuto.
Então, que tolice dizer: eu sou.
Melhor dizer: eu estou, porque minhas células sofrem a influência do tempo, o
tempo todo. Tudo que nos rodeia muda e provoca mudanças em nosso interior, em
nosso aspecto, em nosso modo de pensar e de agir. Nossa personalidade sofre a
influência do meio e das circunstâncias. O próprio Universo gira e gira e
esse é o grande show da vida.
Assim, hoje eu estou, tu estás, ele está... E amanhã... Estaremos?
