Só rindo deles...
Maristel Dias dos Santos
E é rir pra não chorar... A
mim, me parecia ter ingressado em outro mundo, em outra época ou simplesmente,
assim, por passe de mágica, ter sido transportada para algum país de moeda
híper-desvalorizada
como a Rússia, por exemplo. Mas evidente que lá nem existe mercadoria
semelhante.
Melhor contar de vez o sucedido para que meus amigos leitores possam
ajudar-me a explicar tal fenômeno. Estávamos, eu e minha filha, dentro do
grande Shopping, a procura de idéias para os últimos presentes, às vésperas
do Natal. Ela não sabia ainda o que comprar para o marido que “tem de
tudo”, como soe acontecer a um empresário bem sucedido, espécime raro em
nossos dias. Sugeri uma agenda e isso a fez lembrar justamente o fato
que o marido todos os anos brinda com agendas seus clientes, este ano
deixou de fazê-lo devido às circunstâncias conjunturais de nossa economia. __ “Boa idéia!
Uma agenda”. E, tentando furar o cerco humano daqueles corredores, saímos
procurando uma loja que vendesse agendas. Enquanto caminhávamos, ia-me contando
que pensara em uma caneta, mas o
marido lhe aconselhara que não, pois não queria ficar vigiando a dita cuja.
Achei um pouco estranho, porém é verdade, pois caneta é coisa que se acha e
se perde com facilidade, em todos os cantos e certamente ele não se referia a
uma “bic”. Afinal encontramos a loja que ela queria.
Em confortáveis cadeiras aguardamos a vendedora chegar com pequena pilha
de agendas e sentar-se diante de nós. Vendedora vip, vendedora que vende
sentada. Tudo muito chic e aristocrático. Bonita agenda de mesa. Capa de couro
e papel de fina qualidade. Foi aí que, não estivesse sentada, cairia das
pernas. Para evitar o escândalo de um tombo haviam-nos feito sentar. Com
certeza! __ “O preço? R$700,00.” Eu
e minha filha nos entreolhamos e não pudemos evitar o riso. Fiquei a pensar que
tipo de pessoa compraria aquilo...
__“É que a capa é de
couro! Explica, inocentemente, a vendedora.
__ “Você disse o quê? A capa é de ouro?! Estranho!... Não parece ouro... Ah! Couro!...” Foi então que lembrei: __ “E que tal a caneta?” Lá vai a vendedora em busca das tais que chegam em estojos aveludados. Tão parecidas com aquelas do Paraguai que sempre ganho de brinde quando compro dois ou três enfeites de resina para presentear amigos aniversariantes, na loja dos importados. Nada vê a mais, a minha empírica visão das coisas, a não ser o preço que vai de R$250,00 a R$3.000,00. Só não dou uma gargalhada porque estou interessadíssima em saber se aquela pequena haste dourada que serve para prendê-la ao bolso é mesmo de ouro. Bem, umas são, outras apenas folheadas, e essas não admitem gravação, além disso se quiser gravar um nome, explica-nos a jovem, é serviço terceirizado e irá custar mais R$15,00. Acabo por concluir que cara mesmo é aquela bolinha branca pintada em tudo, nessa loja. Inquiri minha filha sobre a espécie de escrita que essa caneta faria e confessei à gentil vendedora que caso ela me desse garantias da tal caneta escrever coisas originais e sábias, eu compraria nem que tivesse de fazer um empréstimo. Minha filha tentou explicar à atônita moça que sua mãe dizia isso porque é escritora. A filha ainda ficou tentada a efetuar a compra e acho que só não o fez para não agredir a minha “esquisita” indignação. Saí da loja questionando a lógica de raciocínio e inteligência que devem ter os que compram marcas e etiquetas dessa espécie. Para a minha modesta inteligência, é demais! Eu desisto de entender. Pára mundo que eu quero descer!...