SOL

 

 

 

Maristel

 

Seguir o exemplo do sol: toda manhã nascer...

Devagarzinho, pálido, preguiçoso,

Qual pintainho amarelinho. Amarelo bebê.

Vai desdobrar-se sobre a escuridão

E derrotá-la, herói consciencioso,

Cresce,  pouco a pouco,

Até tornar-se enorme ao meio dia,

Inclemente, agressivo, forte e ardente,

Desenha sombras circulares sob as coisas

E das ruas expulsa gatos, cães e gente.

Caminha firme a sua trajetória

De luz, calor, de brilho e de vida.

Sabe que vai morrer e a despedida

Numa apoteose triunfante

Exibe... Mais lindo a cada dia.

Fica o céu de chamas ateadas

Torna-se púrpuro, dourado, suculento.

Como a macarronada fumegante

Numa travessa azul arredondada.

Morre feliz, tranqüilo, exuberante

Por que tem a certeza do renascimento.