Solidão

                                                                                             Maristel D.                 

Ah... És tu, novamente?

Entra e fecha o portão.

Vem e deita ao meu lado,

Minha amiga Solidão.
 
Vês? Diante de ti
 
Dispo-me inteiramente.
 
Vaidades para um lado,
 
As paixões pra qualquer canto,
 
         Deito-me sobre o tapete.
 
         Um copo cheio na mão

Sob a cabeça a almofada.

Aquela verde, de recheio mole.

Ergo-me e acendo um cigarro

Já que és uma inútil

E nem pra apanhar um isqueiro...

Mas... Calada!... É que me envolve

A música erudita na vitrola...

Vai num crescente, sobe e se enrola

Como a fumaça azul do meu cigarro.

De repente, num último acorde

Chega o Silêncio, da Solidão o amante.

Copos vazios...Cigarros apagados...

Apagam-se também os pensamentos...

Não sinto mais o chão às minhas costas,

Não tenho dor, nem sono, nem saudade...

Não sinto nada... Incrível sensação...

Estar ao lado de mim mesma,

Ver-me estendida, imóvel e parada.

Não sou mais eu... Incrível sensação...

... Eu sou agora a própria Solidão!...

Adeus solidão! (resposta poética do querido amigo Hélio Tompson)

 

É preciso dizer adeus à solidão.

Bom mesmo, é imaginar alguém no lugar dela.

Que para esse alguém, seja todo o desnudar.

Nem que seja nos fechar dos olhos, no calor que nos banha.

Nos goles trocados, nos beijos derramados.

Sentir todo o desejo, de ser tudo, tão importante.

Que seja tudo em pensamento, tudo trocado, até a fumaça compartilhada.

E assim vão os pensamentos, numa linda noite de luar,

De muito amor e encantos.