Tempo de amar

                                                            Maristel                                    

Houve um tempo em que eu amava o olhar,

Aquele olhar que estremecia a alma,

E obrigava os meus olhos baixar.

 

Houve um tempo em que eu amava as mãos.

Roçar sutil, tremor a percorrer o corpo

E vibrando chegar ao coração.

 

Houve um tempo em que eu amava o toque,

A carícia, o despertar do anseio,

O desejo febril de apertar ao seio.

 

Houve um tempo em que eu amava a pele,

Quando abrirem-se botões era fatal

E desnudar a carne irracional.

 

Houve um tempo que eu amava o vício.

Tinha de despertar, à força, o coração,

Fingir, talvez, uma louca paixão.

 

Houve um tempo em que eu amava a voz

Somente a voz era suficiente

Para acordar um sentimento ardente.

 

Houve um tempo máximo, latente,

Quando o corpo pouco, ou nada conta,

Eu  pude amar perdidamente a mente.

 

E porque hoje eu só amo as mentes

Me apaixonei por ti  e nem importa

Que semeies verdades ou se(mentes).