Maristel Dias

I
Contigo fazer amor?!
Não preciso, não aceito,
É que entre nós, meu senhor,
Todo amor já nasceu feito.
II
Quero banhar-me em teu pranto
Secar-me em tuas madeixas
Desencantar o teu canto
Consolar as tuas queixas.
III
Os teus olhos quero olhar
E ficar assim pasmada
Para eternamente estar
Só te olhando e sendo olhada.
IV
Se de saudade eu choro
É por ti que choro, ó vida,
Não me abandones, te imploro,
Dá-me mais da dura lida.
V
Se eu perdi, você perdeu
Ambos perdemos, meu bem,
Mas você
mais do que eu
Pois amá-lo assim, ninguém!
VI
Bate o sino pequenino
Nos
alvores da manhã
Chama pai, mãe e menino
Pra maior festa cristã.
VII
Oh! Senhora d’além
mar
De Sodoma ou da Fenícia,
Eu vos peço, aceitar
De
uma rosa a carícia.
VIII
Carícia, carinho caro,
Da mão cheia de desejo.
Carícia,
momento raro
Do meu beijo no teu beijo
IX
Se a vida traz-me o cansaço
Retorno à casa querida
E, mulher, no teu regaço
Saram todas as feridas.
X
Ser mulher é ser a força
Mais forte que a própria dor
É a que carimba e endossa
Trocar a dor pelo amor.
XI
Tu me pedes a medida
Do
meu amor, ó mulher,
É maior que a própria vida,
Mas cabe em um malmequer.
XII
Se desejas conhecer
A verdadeira medida
Do
meu amor, venha ver;
É este
amor sem medida!
XIII
Na morte é que o ser
humano
Prova ser ser
racional.
Despoja de todo pano,
Faz o que quer, afinal.
XIV
Tum... tum... bate o coração
Medo, pudor e
malícia...
Se deixo que a tua mão
Se atreva em audaz carícia.

XV
Era um beijo de adeus
Me confessou que partia,
Mas ficou nos braços meus
Para mais uma carícia.
XVI
Preciso cantar em trova
O segredo da carícia
Ela é, meu bem, a prova
De desejo, amor, perícia
XVII
Mulher!
Que forças opostas
Animam esta flor antiga!
Muitos homens leva às costas
E todos em sua barriga!
XVIII
Quem diz ser falta de ética
Falar do quanto percebe
Abusa da dialética
Ganha mais do que merece.
XIX
Chove
chuva na cidade
Lava
ruas e telhados
E
carrega esta saudade
Nos
vórtices enxurrados.
XX
Quem
pensa que o trovador,
É
mais um poeta pequeno,
Saiba,
só ele planta um amor
Tão
grande em pouco terreno.
XXI
Merecemos
parabéns
Pelo
prazer do momento
Pelas
flores e espinhos
Pela
dor do crescimento
(01/Setembro/93)
XXII
Se
é em frascos pequeninos
Que
o melhor perfume vem,
A
trova é o melhor dos hinos,
Nos
dá tudo e muito bem...